Muito além do disco: o impacto do fim da mídia física para os colecionadores

 

O fim da mídia física: a visão de um colecionador apaixonado pelo Xbox 360

Para entender melhor o impacto do possível fim da mídia física no universo dos games, conversei com André, criador da página @sossegadooooo no Instagram. Em seu perfil, ele compartilha gameplays, sua coleção e diversas curiosidades sobre o Xbox 360. Como colecionador de mais de 400 jogos físicos, André representa uma comunidade que enxerga os videogames como muito mais do que simples produtos: são parte de uma história, de uma paixão e de uma identidade construída ao longo dos anos.

Perguntei primeiro como surgiu sua relação com os videogames e com o colecionismo.

"Meu primeiro contato com videogame foi com o Nintendo 64. Joguei pouco e, depois, fui para o PlayStation 2, um clássico que acredito que a grande maioria da minha geração, nascidos por volta de 1995, teve a oportunidade de jogar. Em 2015, adquiri meu primeiro Xbox 360 Slim e foi aí que comecei a colecionar. Tive uma pausa, mas há cerca de cinco anos voltei a colecionar e jogar com mais frequência. Hoje tenho mais de 370 jogos físicos de Xbox 360 e cerca de 25 jogos do Xbox clássico compatíveis com o console, além de acessórios e itens exclusivos."

Também quis saber sua opinião sobre o momento atual da mídia física e como um colecionador enxerga as mudanças da indústria.

"Claro que a gente fica triste, principalmente quem é colecionador. Eu diria que mais de 90% das pessoas que compram mídia física hoje fazem isso porque gostam de colecionar. Quem quer apenas jogar possui outras formas de acesso aos jogos. No caso do Xbox 360, ainda é possível jogar utilizando o disco, mas nos consoles atuais, como Xbox Series, PlayStation 5 e Nintendo Switch, muitos jogos físicos funcionam apenas como uma chave de acesso para baixar o conteúdo. Você tem a caixa e o disco, mas muitas vezes o jogo não está realmente ali. Isso acaba tirando parte do sentido da mídia física. Quem coleciona gosta de pegar a caixa na mão, admirar a coleção na estante e preservar aquela experiência. Infelizmente, acredito que o futuro já está traçado."

Por fim, perguntei como ele imagina o futuro do colecionismo de videogames.

"Muitos colecionadores começaram lá nos primeiros consoles e sonhavam em continuar essa coleção nas gerações futuras. Tem gente que iniciou no PlayStation 1, depois passou pelo PlayStation 2, 3, 4 e esperava seguir em frente. Infelizmente, esse ciclo está chegando ao fim. Isso já vinha acontecendo aos poucos, pois muitos lançamentos passaram a trazer apenas uma chave de acesso em vez do jogo completo no disco. Na minha opinião, não faz sentido vender apenas a caixa sem o conteúdo físico. Não há muito o que fazer. É o fim de um ciclo, assim como aconteceu com os CDs de música, que praticamente desapareceram das lojas e deram lugar às plataformas digitais. É assim que vejo o futuro da mídia física."

A fala de André mostra que, para muitos jogadores, colecionar vai muito além de acumular jogos. Cada caixa, cada disco e cada edição representa uma lembrança, uma conquista e um pedaço da história dos videogames. Com a crescente digitalização da indústria, a praticidade ganha espaço, mas também cresce o sentimento de que uma parte importante da cultura gamer pode estar ficando para trás. Para os colecionadores, o fim da mídia física representa não apenas uma mudança no mercado, mas o encerramento de uma era.

Edição e matéria:

Cyzer






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